Por Marcos Maracajá
Alguns parentes, até bem intencionados, escreveram em sites genealógicos sobre a Família Maracajá. Mas os dados em linhagem genealógica quer estão errados, quer incompletos. E bota erros e falta de dados complementares.
É verdade que escrever genealogia é produzir História, logo, é necessário rigor científico nas pesquisas, caso contrário, o que vier a ser produzido não passará de emaranhados de palavras desconexas, confusas.
Listar uma família genealogicamente, se faz necessário buscar através de entrevistas com parentes, conhecidos, historiadores, e o mais importante, a investigação documental, quer nos cartórios, livros, e imprensa. Daí sabermos que a pesquisa bibliográfica é fundamental para termos produção de boa qualidade.
Há mais de sete anos empenho esforços arduamente em pesquisas bibliográficas sobre a família Maracajá. Portanto meu interesse foi despertado logo cedo ao caminhar com meu pai da estrada que ia de Campina Grande a São João do Cariri, passando pela Fazenda Arara, dos meus ancestrais tetravós e trisavós, Inácio da Costa Freire Mariz Maracajá, e Patrício Freire Mariz Maracajá, respectivamente, rumo a pequena Fazenda Lucas do meu avô, José Borges Maracajá, conhecido por Zezé, filho do Coronel Manoel de Medeiros Maracajá, e de Maria Borges Maracajá.
Ao passar em frente ao casarão da Fazenda Arara, meu pai, Antônio Borges Maracajá, mostrava-me uma cruz enorme debaixo de um juazeiro e muitos buracos nas paredes largas da velha casa. Contava-me que ali tinha ocorrido um tiroteio com os cangaceiros.
Por algum tempo, duas vezes, em meados do anos 70, século passado, cruzei a longa caminhada a pé até a Fazenda do meu avô. Mas passei por umas duas vezes montado na garupa de um cavalo com meu tio Manoel Borges Maracajá, que me deixava na casa de um certo senhor Ioiô, ou Nonhô, para pernoitar, e no outro dia seguir viagem com meu pai para Campina Grande, e logo depois para o Sítio Tambor, município das Vertentes, em Pernambuco, onde meu pai residia e trabalhava no bananal, cafezal, e pequena criação de gado de propriedade do meu avô Zezé.
Foram durante esses percursos que ouvi tantas vezes meu pai relatar histórias dos ancestrais, de assombrações de carro roncando atrás das pessoas pelas fazendas Arara e Lucas, da pedra das negras na fazenda Caroá, de Balthasar Maracajá, e tantas outras.
Depois de anos, já na minha maturidade, resolvi seguir os passos de historiadores paraibanos, investigar as famílias que há anos habitam aqueles cariris paraibanos. Boqueirão, Cabaceiras, Ribeira de Cabaceiras, São João do Cariri, Serra Branca, Gurjão, Monteiro, Sumé, São José dos Cordeiros, Boa Vista (de Santa Rosa), mais no sertão, Patos, Santa Luzia, Souza, Pombal. E no agreste e brejo da Paraíba, Campina Grande, Alagoa Nova, Areia, Bananeiras, Pilar, Queimadas. Só para mencionar apenas algumas, sem esquecer a Capital, João Pessoa, e Taquara, no litoral, ou Praia de Pitimbu.
Mas nossa pesquisa estaria fadada ao fracasso se nos detivéssemos apenas nesse espaço geográfico. Adentramos pelo mundo à fora. Pesquisas em Portugal, Espanha, se fizeram necessárias para desvendar aqueles que antecederam Inácio Maracajá, ou seja, Abreus, Trancas, Castros, Freires, Oliveiras Ledos, entre outros.
Para desembarcarmos na Bahia, cruzar o litoral e sertões nordestinos, chegar a Pernambuco, para fazer uma parada na capitania de Itamaracá, Igarassu, Goiana, Olinda, Recife, e outros lugares de onde emigraram muita gente para a Paraíba desde sua fundação, ou descobrimento.
Estou concluindo um modesto trabalho sobre a Família Maracajá, mas certo que abrirei uma fronteira para tantos outros caminhos que talvez alguns percorrerão, certamente com mais perspicácia, ousadia de quem quer ser verdadeiro com a História.
Hoje a Família Maracajá está espalhada em quase todos os Estados do Brasil. Ocupam os mais diversos cargos, exercem os mais diversos serviços. Vale o tempo em saber quem são.
Marcos Maracajá, Antonio Porto, acadêmico de Direito, Técnico em Contabilidade, escritor, poeta, pesquisador.
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